XVI BA17 - BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITECTURA DE BUENOS AIRES - ARGENTINA


A XVI Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires aconteceu entre os dias 09 e 20 de outubro de 2017, na Usina Del Arte. Eu sou a arquiteta Bruna Prado (@arq.brunaprado), visitei as exposições do evento e trago a cobertura do evento com as exposições mais impactantes nesse post para vocês.

O edifício da Usina del Arte por si só já é lindíssimo. Localizado no bairro La Boca, foi projetado pelo arquiteto Giovanni Chiogna e começou a ser construído em 1914. Começou a funcionar em 1916. O edifício foi ampliado em 1919 e 1921 para aumentar o fornecimento de energia para os edifícios fabris. O edifício ocupa uma área de 7500 m², sua morfologia e materialidade são reminiscências do palácio florentino, estilo dominante de igrejas e fábricas da época.

A programação da Bienal, contou com conferências, mesas redondas, workshops e as seguintes exposições:

  • Concurso Prêmio Bienal – Estudos nacionais e projetos de desenho arquitetônico;

  • Grande Prêmio para a trajetória de ‘Jorge Glusberg’;

  • Barcelona – Ciudad Invitada de Honor;

  • Exibição Carrilho da Graça – Lisboa;

  • Prêmio Dedalo-Minosse;

  • Think Global – Build Social;

  • Exposicão de Copenhague;

  • Exposicão Nido de la Cultura;

  • Exposicão da Sociedade Central de Arquitetos;

  • Prêmio Oscar Niemeyer;

  • Architect’s Voices;

  • Mostra Sergei Tchoban: Puentes y agujas;

  • Exposicão Moderna Buenos Aires;

  • Exposicão sobre a obra de Sanabria;

  • Exposicão do Sistema Teleférico de La Paz;

  • Exposicão de Arquitetura Argentina;

  • Arquitectura EsCultura;

  • Exposicão Andre Wissenbach;

  • Reinventar París;

  • Hello Wood;

  • La noche, un invento del hombre;

  • Ministerio del Interior, Obras Publicas y Vivienda;

Entre as diversas exposições do evento as que foram destacadas na lista acima serão detalhadas para vocês. Notem que aqui apresentamos mais detalhes das exposições e mais duas exposições além das apresentadas no nosso Instagram.

* Exibição Carrilho da Graça - Lisboa

Curadoras: Marta Sequeria e Susana Rato

O arquiteto português João Luís Carrilho da Graça nasceu em 1952 na cidade de Portalegre. Formou-se na Escola de Belas Artes de Lisboa em 1977, mesmo ano no qual iniciou sua atuação profissional. Foi nominado ou selecionado pelo Prêmio de Arquitetura Européia Mies Van Der Rohe em 1990, 1992, 1996, 2009, 2011, 2013) e recebeu diversos prêmios.

Foi professor na mesma universidade que se formou (1977-1992) e, posteriormente, tornou-se professor na Universidade Autônoma de Lisboa (2001-2010) e na Universidade de Évora (2011-2013), coordenando o Departamento de Arquitetura das duas Universidades até 2010 e foi, também, responsável pela criação do doutorado na última universidade citada.

Foi professor visitante na Escola Técnica Superior de Arquitetura da Universidade de Navarra (2005, 2007, 2010 e 2014) e na Faculdade de Arquitetura, Artes e Planejamento da Universidade Cornell, em Nova Iorque (2015). Desde 2014 ele é professor de dedicação exclusiva da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

Em 2013 recebeu o título honorário de Doutor pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

Segundo as curadoras, Marta Sequeria e Susana Rato, a exibição é uma manifestação da forma de olhar do arquiteto português, ilustrada pela cidade de Lisboa, onde ele vem trabalhando por mais de 30 anos.

A exibição considera a teoria do território, expressa por uma maquete bidimensional do território da cidade lusitana de Lisboa. A teoria considera que a construção da cidade e da arquitetura é baseada nas rotas humanas e nos assentamentos que estavam lá antes dessas construções, essas questões determinam as linhas e os pontos principais da topografia do terreno.

Os projetos selecionados para a exibição foram os considerados significantes no contexto pelo próprio arquiteto. Inclui projetos que não foram construídos e projetos que não estão totalmente detalhados, porém representados de forma que a teoria do território possa ser observada.

As obras que constam no plano urbano bidimensional apresentado na exibição foram: a Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa; VALIS - Estudo e Plano Estratégico de Preservação do Património Arquitetônico e Urbanístico de Lisboa; a Ampliação da Assembleia da República; o Pavilhão Multiuso da Expo 98; Pavilhão de Conhecimento dos Mares; a Sede do Instituto Politécnico de Lisboa; o Centro de Documentação e Informação da Presidência da República no Palácio de Belém; a Reitoria da Universidade Técnica de Lisboa; a Escola Superior de Música de Lisboa; Requalificação e conversão de edifício em habitação particular na Rua das Quelhas; Edifício de Habitação na Travessa da Fábrica de Sedas; Ampliação e modernização da Escola Alemã de Lisboa; Edifício de Habitação Condessa do Rio; Edifício de Habitação Rua Presidente Arriaga; Museu do Oriente; Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa; Casa na Rua Tenente Raúl Cascais; Remodelação e ampliação de um edifício de habitação na Avenida Liberdade; a musealização da área arqueológica da Praça Nova do Castelo de São Jorge; Plano urbano da zona nascente do Aterro Boavista; Recuperação e conversão do Palácio de Santiago em edifício habitação; Plano urbano da zona poente do Aterro Boavista; o Terminal de Cruzeiros de Lisboa; o edifício-sede do Portugal Telecom; Portas do Mar e o Edifício-sede do Banco de Investimento Português (BPI).

As obras destacadas acima foram detalhadas em folders explicativos, pranchas de implantação das obras na cidade e maquete tridimensional, conforme as imagens a seguir.

Exibição Arquiteto João Luís Carrilho da Graça - maquete da implantação da cidade (foto 1 e 2), maquetes das obras (fotos 3, 5, 6, 7, e 8), implantação das obras na cidade (fotos 3 e 4)

Fonte: Arquiteta Bruna Prado

Uma das obras detalhadas foi o Pavilhão Multiuso da Expo 98, que o arquiteto explica como uma arquitetura serena, simples e direta mas que ao mesmo tempo tem uma presença intensa no espaço.

Outro projeto interessante é o da Musealização da área arqueológica da Praça Nova do Castelo de São Jorge. O acesso a esta área é feito por cima da muralha do Castelo, de onde tem-se uma vista aérea deste espaço.

O projeto partiu do desenho das ruínas das casas islâmicas do século XI, foi construída uma maquete de tamanho real, recriando os espaços da casa sobre as ruínas, com estrutura metálica, conforme imagem abaixo, e aço cortén como forma de proteger tanto as ruínas quanto os vestígios da Idade do Ferro do local.

Musealização da área arqueológica da Praça Nova do Castelo de São Jorge

Fonte: Archidiap.com e Carrilho da Graça Arquitectos (acima) e fg+sg - fotografia de arquitectura (abaixo)

É importante numa exibição de porte internacional, além da questão do conteúdo apresentado, verificar a forma como ele é transmitido para os visitantes.

Essa exibição é muito clara, utilizando conceitos minimalistas para apresentação do plano urbano bidimensional, mostrado no vídeo do post de nosso instagram, trabalhando o contraste e a sobreposição de cheios e vazios das construções para mostrar o desenho urbano da cidade de Lisboa.

Assim como, a clareza na apresentação dos projetos detalhados com as pranchas de implantação, que destacam as principais delimitações da cidade: muralhas e rio Tejo; e as maquetes tridimensionais apenas na cor branca, com diferenciação de texturas nos edifícios e o rio representado por papel brilhante prata, ver imagens acima.

* Exposição Nido de la Cultura

Josep Ferrando é formado pela ETSAB (Escola Superior de Arquitetura de Barcelona), em 1999. É professor desde 1998 nas Escolas: ETSAB; La Salle, Escola de Engenharia e Arquitetura, Barcelona; Universidade de Illinois, Chicago (UIC); Instituto Europeu de Design (IED), e Escola de Desenho e Arte (Eina).

A exposição organizada a partir de um evento em março de 2017 pelo arquiteto Josep Ferrando é composta por maquetes tridimensionais confeccionadas dentro da oficina El Nido de La Cultura. O evento teve como objetivo projetar instalações de madeira que serviriam de equipamento cultural para o Paseo de la Costa de Vicente López.

Exposição Nido de la Cultura - maquetes

Foto: Arquiteta Bruna Prado

*Mostra Sergei Tchoban: Puentes y agujas

Curador: Vladimir Belogolovsky

Pintura de Sergei Tchoban

Foto: Arquiteta Bruna Prado

Sergei Tchoban nasceu em 1962 em Saint Petesburg, Rússia. Graduado em 1986 pelo Instituto Repin para Pintura, Escultura e Arquitetura. Mudou-se para a Alemanha em 1992 e em 1995 começou a gerenciar o NPS Tchoban. Em 2003 abriu um escritório na Rússia. Em 2006, junto com o arquiteto Sergey Kuznetsov, ele co-fundou o SPEECH, escritório de arquitetura em Moscow que, em 2008, também virou uma revista de arquitetura de mesmo nome.

A exibição do arquiteto russo-alemão, artista e colecionador Sergei Tchoban apresenta mais de 50 desenhos e aquarelas em grandes formatos de 1983 a 2016. Eles reúnem estruturas existentes, imaginárias e ruínas, assim como fantasias futurísticas com contexto de desafio à gravidade urbana no passado e no futuro.

* Arquitectura EsCultura

Curadores: Rhony Alhalel Lender, artista / Oscar Gonzalez Moix, arquiteto

Maquetes: Rodolfo Rey

Fotografia: Ramiro del Carpio

O arquiteto Oscar Gonzalez Moix nasceu em Buenos Aires, Argentina e se formou na Universidade de Buenos Aires (UBA), Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo. Em 1998, abriu seu Studio em Buenos Aires, no qual desenvolveu principalmente projetos de habitação unifamiliar, multifamiliar e gestão do desenvolvimento imobiliário. Em 2002, quando foi solicitado para alguns projetos no Peru, em Lima, decidiu instalar seu Studio principal por lá.

O processo de projeto do arquiteto argentino Oscar Gonzalez Moix resgata a relação entre Arquitetura / Cultura e confunde a última com o melhor sentido da palavra EsCultura. O arquiteto acredita que a experiência arquitetônica é multissensorial, compreendendo matéria e não matéria, espaços fechados e abertos, precisos e ambíguos, de escala humana ou monumental, de temperaturas variadas, texturas, de sons e silêncios.

O arquiteto explica que as luzes, massas e sombras são como matérias-primas do plano, apresentando-os ao terreno escultural, e por fim, abraçando o lugar em específico.

As maquetes tridimensionais são feitas com materiais brutos e sóbrios, acompanhadas de desenhos e fotografias em preto e branco e, expostas numa estrutura de vergalhões nada convencional em formato hexagonal desconstruído.

Exposição Arquitectura EsCultura (painéis, croquis e maquetes 3d)

Fonte: Arquiteta Bruna Prado

Exposição Arquitectura EsCultura - maquete 3d (esq.) e projeto executado (dir.)

Fonte: Arquiteta Bruna Prado (esq.) e http://www.gonzalezmoix.com/index.php (dir.)

Exposição Arquitectura EsCultura - croqui, maquetes 3d e projeto executado

Fotos: Arquiteta Bruna Prado (esq. e dir. topo | esq. abaixo) e http://www.gonzalezmoix.com/index.php (dir. abaixo)

As exposições que mais me chamaram atenção estão nesse post, espero que tenham gostado da cobertura e que essas formas de representação de projeto, tão diferentes e lindas, influenciem a forma como irão representar seus projetos futuramente.

Fontes:

http://labienalarq.com/actividades/muestras/ (Traduação nossa)

http://www.gonzalezmoix.com/index.php (Traduação nossa)

http://jlcg.pt/

http://josepferrando.com/josep-ferrando/#more-33 (Traduação nossa)

Folders das exposições disponíveis nos stands (Traduação nossa)

http://www.buenosaires.gob.ar/noticias/100-anos-de-un-edificio-emblematico-de-aquella-italo-esta-usina-del-arte (Traduação nossa)

http://arqa.com/arquitectura/usina-del-arte.html (Traduação nossa)

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